Entre o Clima e a Cidade: análise das ocorrências em áreas de riscos climáticos na cidade de Fortaleza
Rômulo Andrade da Silva | Analista de Planejamento e Gestão
Raynara dos Santos Silva | Gerente do Observatório de Fortaleza, célula que integra a Diretoria do Observatório de Governança Municipal do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan)
RESUMO
O estudo “Entre o Clima e a Cidade: análise das ocorrências em áreas de riscos climáticos na cidade de Fortaleza” analisa como os desastres relacionados ao clima vêm se intensificando no espaço urbano e como isso expõe fragilidades estruturais e sociais da capital cearense. Entre 2021 e 2024, a Defesa Civil registrou quase seis mil ocorrências, sendo a grande maioria ligada ao risco de desabamento, que representa 81% dos casos, seguida por alagamentos, incêndios, deslizamentos e outros eventos. Esses registros não se distribuem de forma homogênea: concentram-se, sobretudo, em bairros do norte e centro-norte da cidade, em áreas mais baixas e próximas a rios, onde falhas no sistema de drenagem agravam a ocorrência de inundações. A análise mostra ainda que poucos bairros — como Centro, Aldeota, Meireles, Barra do Ceará e Vila Velha — concentram grande parte das notificações, enquanto grande parte dos bairros apresentou quantidade relativamente inferior de ocorrências. A investigação da persistência temporal revelou que determinados locais, especialmente Jacarecanga, Itaoca, Aldeota e Padre Andrade, acumulavam pontos de ocorrências ao longo de três ou quatro anos consecutivos dentro de um raio de 20 metros, configurando zonas de risco crônico, ainda não solucionadas pelas intervenções adotadas. Estima-se ainda que cerca de 10% da população e quase 10% dos domicílios estejam em áreas suscetíveis a alagamentos, conforme mapeamento da Defesa Civil e da Funceme. As conclusões apontam para a necessidade de integrar os dados da Defesa Civil ao planejamento urbano, priorizar investimentos em infraestrutura de drenagem, contenção de encostas e saneamento urbano, além de adotar políticas públicas específicas sobre os riscos de desabamentos. O estudo defende, por fim, a criação de ferramentas de monitoramento dinâmico e sistemas de alerta precoce como instrumentos fundamentais para transformar a gestão de riscos em políticas de prevenção e mitigação efetivas.
Residentes em Área de Risco de Inundação - Indicador
Rômulo Andrade da Silva | Analista de Planejamento e Gestão
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo propor uma metodologia para calcular o número estimado de pessoas residentes em áreas de risco de inundação no município de Fortaleza, com base em dados geoespaciais fornecidos por diferentes instituições e dados censitários do IBGE (2022). Para tal, o procedimento foi dividido em quatro etapas principais: (i) coleta e pré-processamento dos dados geográficos, (ii) definição das áreas de risco, (iii) sobreposição com setores censitários e (iv) estimativa populacional nas áreas afetadas. Ao final do estudo pode-se estimar a população residente em áreas de risco de alagamento por meio da interseção espacial entre os setores censitários e as áreas mapeadas como suscetíveis a alagamentos pela FUNCEME e pela Defesa Civil, tornando possível mensurar de forma mais precisa a vulnerabilidade territorial de diferentes regiões da cidade.